Apresentação
Acredito que “A euforia do corpo” busca implicar os leitores num percurso de ambiguidades (rompendo com obviedades), a começar pelo título, indicativo de estados abissais do ser, pois a euforia pode indicar tanto alegria e otimismo quanto o seu oposto, o patológico, bipolar, a euforia depressiva. Jacques Lacan referiu-se à depressão como uma espécie de covardia moral, uma recusa do sujeito frente ao seu desejo. Anaximandro aceitou o chamado interno para refletir poeticamente sobre temas e conteúdos pulsantes e limítrofes. O escritor elegeu o filósofo francês Jean-Luc Nancy, estudioso de Lacan, como interlocutor privilegiado, como poderão observar em mais de duas dezenas de epígrafes. Essa escolha, que julgo ser consciente e bastante adequada, põe em cena o ente delimitador-mor da existência e condição primeira para a materialização de outros corpos: o corpo.
Renata Bomfim
Doutora em Literatura, poeta e ativista ambiental
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